Manifesto de Socioeconomia

MANIFESTO DE SOCIOECONOMIA

 

Olá, tudo bem?

– Tudo.

 

Muito daquilo que se leva em consideração para dar esta resposta de forma verdadeira está intimamente ligado à ideia de socioeconomia. Alguém que afirma “estar bem” certamente não se sente privado de seus direitos fundamentais: está em condições, ao menos razoáveis, de saúde, renda e enxerga o futuro com possibilidades de melhoria. Se sente capaz de enfrentar problemas, de maneira própria ou coletiva.

 

A socioeconomia é uma perspectiva, uma forma de ver o mundo. Um ângulo de interpretação dos fenômenos sociais e econômicos, que reconhece suas indissociabilidade, interdependência e complexidade. Um olhar que, ao colocar as pessoas no centro do campo analítico, consegue observar os elementos capazes de constituir um caminho de bem-estar para todas e todos.

 

Pressupõe um estado de prosperidade composto por princípios de equidade, liberdade, autonomia e participação, onde pessoas preservem direitos, atributos de identidade e vínculos de família, cultura e memória.

 

Devem ter autonomia, formas efetivas de participação social nas decisões coletivas e acesso a redes produtivas e serviços essenciais ao seu desenvolvimento, como saúde, educação, lazer, segurança, entre outros. Antes, e primordialmente aos seus aspectos fenomenológicos, a ideia de bem-estar socioeconômico está estritamente vinculada à noção de equidade.

 

A hipótese de que a prosperidade de um determinado coletivo humano pode ser mensurada pela média de seus componentes não é aceitável nessa concepção de realidade. O viés socioeconômico reconhece a mutualidade das relações entre os aspectos econômicos e sociais, atribuindo à ideia de desenvolvimento a premissa de que não é admissível deixar ninguém para trás.

 

A equidade, em todas as suas manifestações, é a condição elementar do caminho de prosperidade socioeconômica.

 

Ninguém fica para trás.

 

Sob o prisma do sistema econômico, a socioeconomia observa, sobretudo, as formas de converter valor econômico em bem-estar coletivo. Examina como as estruturas produtivas podem ser aproveitadas em suas diversas escalas para que, ao ampliarem seu valor econômico, garantam retenção local de riqueza e distribuição de renda.

 

Leva-se em conta neste domínio as características setoriais, as políticas públicas de incentivos e restrições e os sistemas tributário, fiscal e monetário como matéria-prima e ferramental para a busca de prosperidade.

 

Não há no viés socioeconômico juízo de valor pré-concebido sobre setores ou atividades econômicas mais ou menos orientados para os resultados pretendidos, mas, sim, a convicção de que os setores necessitam de abordagens distintas, estruturais e conjunturais, para que tenham a possibilidade de distribuir valor econômico de forma justa e equânime e, assim, contribuir para o caminho de bem-estar socioeconômico.

 

Também não há bem-estar sem participação, entendida como a possibilidade das pessoas conhecerem, dialogarem e decidirem coletivamente sobre seu futuro.

 

Muito embora essa condição esteja presente, em algum grau, nas formas democráticas de governo, a perspectiva socioeconômica considera que, dada a complexidade das sociedades contemporâneas, o peso da legitimidade democrática não deve recair somente sobre alguns representantes ou instituições representativas, mas sim deve ser amplamente distribuído pela sociedade.

 

A ideia de participação social deve se manifestar em espaços de diálogo e deliberação capazes de equilibrar assimetrias de poder, garantir voz a grupos minoritários e mais vulneráveis, distribuir responsabilidades entre os setores da sociedade e, em última instância, consolidar e aprimorar o exercício da cidadania e o capital social.