História

OInstituto Dialog – Educação, Tecnologia e Desenvolvimento nasce num ambiente híbrido de ciências exatas e sociais, marcado pela inovação. Com experiências em Socieconomia, Educação e Tecnologia, Educação Ambiental e Empreendedorismo Social, há mais de 30 anos o instituto aprimora competências e ativos que definem sua atuação, sempre na vanguarda das grandes transformações sociais e do mundo.

 

Quatro ciclos e dois importantes momentos resumem a história do Instituto Dialog, que tem a pesquisadora Maria Leony Freire, a engenheira Liane Freire e o administrador Sergio Marcondes como protagonistas dessa trajetória.

 

“A cada nove anos, replanejamos, revemos quais são os grandes “drives” de mudança na sociedade e como juntamos a experiência que construímos para contribuir positivamente com as transformações”. Liane Freire

O Instituto Dialog  foi criado em 1985, mas sua gênese se deu dentro da IBM, em 1983, como um braço do Centro de Pesquisa da empresa, composto por 22 pesquisadores das áreas de humanas e exatas, entre os quais a cofundadora e atual presidente do Instituto, Liane Freire.

 

Nesse período, a IBM investia massivamente em pesquisas, que buscavam antecipar o entendimento acerca dos impactos que a nova realidade tecnológica causaria na sociedade.

 

A introdução da informática na sociedade era justamente o tema investigado pela organização sem fins lucrativos Dialog, entre tantas outras questões inovadoras para a época.

 

O momento definiu os valores, o nome e o DNA do Instituto, que passou a guiar sua atuação em busca de inovação e na vanguarda da leitura da realidade e das grandes mudanças sociais.

Após os dois primeiros anos de atividade, de 1983 a 1984, o Instituto Dialog se transformou em uma unidade de pesquisa aplicada gerida por pesquisadores associados. Ainda com financiamento da IBM, faz seu primeiro trabalho voltado à inserção da informática na educação. O projeto, pioneiro, foi realizado com uma escola experimental não seriada, em Resende (RJ), e atendeu a alunos do que atualmente é o ensino fundamental.

 

Foram desenvolvidas e testadas metodologias e ferramentas pedagógicas inovadoras, incluindo o próprio modelo de escola, currículos, formação de professores, além dos primeiros softwares para alfabetização com princípio inteligente do país, premiados pelo Ministério da Educação.

 

A experiência foi desdobrada e ampliada a uma rede de escolas privadas e públicas junto ao grupo Escola do Futuro, formado por universidades estrangeiras, além de instituições do Rio de Janeiro e de São Paulo, como USP, Faculdade Castelo Branco, UFRJ, UERJ e PUC.

 

Uma parceria com fabricantes de computadores permitiu às escolas particulares montarem seus laboratórios e replicarem a estrutura através do projeto Escola Irmã, na rede pública. A Rede Nacional de Pesquisa (RNP), do Instituto de Matemática Aplicada (Impa), também participou, garantindo acesso à internet, ainda restrita a universidades e a outras poucas instituições na época. O Governo Francês integrou o projeto, garantindo link do Brasil com a Europa.

 

“Impulsionamos a introdução da informática no Brasil, trabalhando nos dois maiores centros”. Liane Freire

 

A experiência acumulada pela Dialog e parceiros foi fundamental para alavancar a democratização da informática no país.

 

O trabalho influenciou as primeiras políticas públicas nacionais no tema e resultou em um inovador curso à distância, que capacitou cerca de 60 mil professores no Estado do Rio de Janeiro. Posteriormente, as novas práticas também foram replicadas em outros estados.

Na década de 90, a questão ambiental era destaque mundial, e as atenções estavam voltadas ao Rio de Janeiro em função da ECO-92, Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, realizada na capital carioca.

 

No propósito de fazer frente às demandas mais atuais da sociedade, o Instituto Dialog superou seu primeiro desafio de captação de recursos, para desenvolver o Centro de Educação à Distância, na Ilha de Itacuruçá, em Mangaratiba (RJ), com financiamento da Xerox.

 

Com ativos e competências acumulados no trabalho de informática na educação, dedicou-se a introduzir o tema ambiental nos currículos escolares, ao mesmo tempo em que reforçou o caráter tecnológico da sua atuação.

 

O projeto-piloto atendeu a crianças de Mangaratiba e do Rio. A experiência da Dialog foi mais uma vez replicada na rede de escolas da Faculdade Castelo Branco, com o apoio da Escola do Futuro e de universidades estrangeiras, como a de Maryland (EUA).

 

O trabalho também contribuiu decisivamente com a construção da legislação de educação ambiental brasileira, criada naquele momento.

Entre o fim da década de 90 e a chegada dos anos 2000, Liane Freire se tornou fellow da Ashoka e iniciou um processo de envolvimento com o empreendedorismo social. À época, a necessidade de qualificar e amplificar o trabalho do terceiro setor no país demandava iniciativas que garantissem a multiplicação e a estruturação do campo.

 

Diante desse cenário, a presidente do Dialog cria, em parceria com o Centro de Competências Ashoka & McKinsey, o primeiro curso de empreendedorismo social do país, com método inspirado em jogos de RPG.

 

Ministrada pela Liane, na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, a capacitação atendeu a cerca de 400 organizações da sociedade civil, que foram empoderadas a tocar suas causas.

A imersão no empreendedorismo social resultou em um novo ciclo de atuação do Instituto Dialog, momento em que Sergio Marcondes também passa a integrar o instituto. A análise de dados e de contexto já indicava um caminho de ação com o público jovem, quando surgiu a parceria para realizar no Brasil o “Iniciativa Jovem Shell”, programa mundial de empreendedorismo para a juventude promovido pela empresa Shell.

 

A partir do conceito de “Diálogo Social”, criado pelo Instituto Dialog como tradução para stakeholder engagement, o programa capacitou cerca de 1560 jovens a desenvolverem suas ideias.

 

A iniciativa também funcionou como incubadora de negócios, promovendo mecanismos que facilitaram o atendimento desse público aos pré-requisitos exigidos no mercado.

 

Saiba mais sobre o programa Iniciativa Jovem aqui.

 

Para dar ganho de escala às questões da juventude no país, o Instituto Dialog liderou o trabalho que concebeu o Estatuto da Juventude. A política pública foi efetivada nas secretarias e comissões de juventude no executivo, nas câmaras e assembleias legislativas.

 

Financiado pela Fundação Ashoka, a empreitada se iniciou com a constituição do Fórum de Juventude do Estado do Rio, replicado em São Paulo, e do Conselho Nacional da Juventude, um esforço de articulação intersetorial e de composição de governanças.

Após uma década dedicada ao empreendedorismo social e à formação de pessoas, a partir de 2017, o Instituto Dialog passa a investir no desenvolvimento de territórios, com um olhar sobre a sociedade, no ciclo atual da sua história.

 

O instituto se aprofunda no conceito de Socioeconomia, para produzir pesquisas que contribuíssem com o entendimento dos impactos sociais dos grandes empreendimentos do país e na construção de novas soluções metodológicas.

 

Os estudos propiciam uma leitura inovadora sobre a relação entre o público e o privado e a modelagem de ferramentas de participação social.

 

O Dialog se vale de quatro fundamentos no ciclo atual: Governança, Financiamento, Planejamento e Regulação, alinhados aos princípios da ONU Habitat.

 

Como resultado, o Instituto Dialog participa da concepção e da implantação dos instrumentos-chave da Política Estadual de Socioeconomia do Pará, primeiro conjunto de leis do país a amarrar o desenvolvimento regional a parâmetros socioeconômicos.

 

“A tecnologia e mesmo o desenvolvimento não são fins, mas meios. Hoje, há um consenso na ONU, no mundo inteiro, de que a finalidade do nosso trabalho são as pessoas”. Liane Freire

 

O ciclo também explora o desenvolvimento de regiões metropolitanas, ao pesquisar e propor um modelo de Governança específico para a Baía de Guanabara, construído com base em fatores socioeconômicos e no ordenamento territorial do seu entorno.

O LEGADO INTELECTUAL DE MARIA LEONY FREIRE

 

Maria Leony Freire foi cofundadora e primeira presidente do Instituto Dialog. Funcionária da IBM, pesquisadora de Inteligências, especialista em Cognição e pós-doutora em Computação, formou-se na faculdade quando a filha, Liane Freire, tinha 12 anos.

 

Fez pós-doutorado numa época em que era raro mulheres chegarem tão longe na academia e no mercado de trabalho. Dedicou todos os esforços para que o Instituto Dialog seguisse seu caminho, após se tornar um centro independente da IBM.

 

Em função da grande responsabilidade frente à área de pesquisa da empresa, ficou impossibilitada de tocar os dois compromissos. Em 1992, Liane Freire abre mão do emprego e concentra-se no propósito de tocar o Instituto.

 

Maria Leony faleceu poucos anos depois, deixando o seu legado intelectual e a marca feminina que perpassa a história do Dialog, originada com a participação de mulheres não só na presidência, mas também nas diretorias, e continuada por Liane Freire.